O preço do kWh residencial no Brasil varia bastante por distribuidora e estado, e o valor que importa para você é o da sua conta, com impostos e bandeira. O jeito mais simples de descobrir: some o valor da conta, tire a iluminação pública e eventuais multas, e divida pelo consumo em kWh. Uma conta de R$ 190,00 com R$ 15,00 de iluminação pública e 180 kWh de consumo dá R$ 0,97 por kWh.
Neste site, os exemplos usam R$ 0,95/kWh apenas como referência. Use sempre a sua tarifa para cálculos reais.
Método 1: pela conta de luz (o mais prático)
Tarifa efetiva = (total da conta − iluminação pública − multas, juros e serviços avulsos) ÷ kWh consumidos
- Pegue a conta mais recente e localize o total a pagar.
- Subtraia a contribuição de iluminação pública (CIP/Cosip), que é municipal e não depende do kWh.
- Subtraia multas, juros e serviços cobrados à parte, se houver.
- Divida pelo consumo do mês em kWh.
Esse valor já inclui TE, TUSD, bandeira e tributos. Se quiser localizar cada campo, veja como ler a conta de luz.
Cuidado com consumos muito baixos: se você consumiu menos que o custo de disponibilidade (30, 50 ou 100 kWh, conforme a ligação seja mono, bi ou trifásica), a conta cobra o mínimo, e a divisão dá um preço por kWh artificialmente alto.
Método 2: pela tarifa da distribuidora
As tarifas são homologadas pela Aneel para cada distribuidora e publicadas no site da agência e da empresa. O valor homologado vem sem impostos e separado em TE e TUSD. Para chegar ao preço final:
- Some TE + TUSD da sua modalidade (convencional residencial B1).
- Some o adicional da bandeira do mês, se houver, dividido por 100 (o valor é dado por 100 kWh).
- Aplique os tributos por dentro: divida por (1 − ICMS − PIS − Cofins).
Exemplo com valores de exemplo: TE + TUSD = R$ 0,70; bandeira amarela (R$ 1,885 por 100 kWh, valor de 2025) = R$ 0,019; ICMS de 18% e PIS/Cofins de 5% → (0,70 + 0,019) ÷ 0,77 = R$ 0,934/kWh.
Veja a explicação dos impostos em ICMS e impostos na conta de luz e das bandeiras em bandeira tarifária.
O que compõe o preço do kWh
| Parcela | O que paga |
|---|---|
| Energia (TE) | Compra da energia gerada pelas usinas |
| Distribuição (parte da TUSD) | Operação, manutenção e investimento na rede da sua distribuidora |
| Transmissão (parte da TUSD) | Linhas de alta tensão que trazem a energia das usinas |
| Encargos setoriais | Programas e subsídios definidos em lei, como a CDE |
| Perdas | Perdas técnicas da rede e furtos de energia |
| Bandeira tarifária | Custo extra de geração em meses desfavoráveis |
| Tributos | ICMS (estadual), PIS e Cofins (federais) |
Para os termos técnicos, veja o que é TUSD e TE.
Por que o kWh muda de preço
- Distribuidora e estado: custos de rede, densidade de clientes e perdas variam muito, assim como a alíquota de ICMS.
- Reajuste anual: cada distribuidora tem uma data de reajuste definida pela Aneel, e a cada alguns anos passa por revisão tarifária.
- Bandeira do mês: verde, amarela ou vermelha.
- Modalidade: na tarifa branca, o preço depende do horário.
- Benefícios: a tarifa social dá desconto para famílias elegíveis.
- Faixas de ICMS: alguns estados aplicam regras diferentes por faixa de consumo.
Como usar o valor no dia a dia
Com a tarifa efetiva em mãos, calcule o custo de qualquer aparelho:
Custo mensal = potência (W) × horas de uso por dia × dias ÷ 1.000 × tarifa
Exemplo: chuveiro de 5.500 W, 40 minutos por dia, 30 dias, com tarifa de R$ 0,97 → 110 kWh × 0,97 = R$ 106,70.
O passo a passo está em como calcular consumo de energia, e a calculadora de consumo de energia faz a conta na hora. Veja quanto gasta cada aparelho no hub de consumo de energia.
Dica: calcule a tarifa efetiva de três contas recentes e use a média. Assim você suaviza o efeito de bandeiras e reajustes.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre tarifa com e sem impostos?
A tarifa sem impostos é a homologada pela Aneel (TE + TUSD). A tarifa com impostos inclui ICMS, PIS e Cofins calculados por dentro, e costuma ser de 25% a 40% maior, conforme o estado.
Posso usar o valor da tarifa que aparece na conta?
Sim, desde que seja a tarifa com tributos e você some o adicional da bandeira, se estiver separado. Na dúvida, o método de dividir o total pelo consumo é o mais confiável.
Por que o vizinho de outra cidade paga diferente?
Porque pode ser atendido por outra distribuidora, com tarifa homologada diferente, e estar em outro estado, com outra alíquota de ICMS. Mesmo na mesma cidade, a modalidade tarifária e benefícios podem mudar o preço.